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Coluna Escrito nas Estrelas: “A ridícula ideia de nunca mais te ver”

Por: Emanuela de Sousa
schedule sábado, 09/12/2023 as 07:36

Tem horas que os sentimentos falam por nós, vem e tomam conta da gente, nos pegam desprevenidos. E não há muito o que fazer. Que sentimento me pegou em plena segunda-feira de manhã? O mais difícil de todos, saudade.

Saudade ou o vazio que ficou, com uma certeza quase que descrente que nunca mais iremos nos ver, mesmo que ainda estejamos na mesma cidade. Vasculhei meus cadernos e achei o título escrito em letras miúdas “A ridícula ideia de nunca mais te ver”, título do livro de Rosa Monteiro, lançado em 2019. Um ano depois estávamos vivendo uma pandemia, perdendo milhares de pessoas todos os dias.

Após ler a frase fechei o caderno depressa, como se tivesse visto algo perigoso, mas na verdade foi um gatilho. Um gatilho de saudade, afinal lembrei de alguém, e me dói lembrar que dias depois sonhei com aquela pessoa outra vez. Contei para a terapeuta, perguntei às cartas de Tarot, mas nada, nada irá me trazê-la de volta, nada pode amenizar essa saudade. Talvez olhar uma foto sua vez ou outra alivie, mas rever a pessoa à tua frente para selar um abraço, é outros quinhentos.

Assim como no funeral vamos nos despedir da pessoa que não está mais entre nós, na vida dos relacionamentos que vão à ruína, vamos para as memórias vasculhar em fotos, presentes, livros

e discos a fim de recordar o que foi um dia. Por isso fica a sensação quase que ridícula, estúpida que não iremos nos ver. Talvez nunca mais esse ciclo se repetirá, não da mesma forma que antes.

Nunca mais vou vê-la, talvez eu esteja sendo muito pessimista, mas hoje não sei como ela é, se ainda mora no mesmo lugar que a deixei, se ainda visita a mesma cafeteria, o mesmo parque. Ela também não sabe de mim. Parece que o tempo ficou pequeno para nós e a cidade, imensa.

O tempo passa, as coisas mudam, mas a saudade fica dos que se foram e daqueles que não estão mais no nosso caminho. No fundo nós só estamos disfarçando-a no dia a dia, mas na hora que menos esperar a saudade chega. Não finja que você não a sentiu, mais ridículo que não te ver é minimizar a tua saudade. A memória não dorme.

Eu guardei o seu nome, ainda sei o seu endereço, mas deixo esse tempo passar.

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